Trump diz que EUA usarão 'poderio militar' na América Latina, 'se necessário'; Lula na ONU: 'Brasil não cabe no quintal de ninguém'

Não há uma reunião bilateral entre Lula e Trump prevista na agenda. Até agora, nenhum dos dois governos apresentou um pedido formal para um encontro.

Pontos-chave

Cobertura ao Vivo

Julia Braun e Luiz Fernando Toledo, da BBC News Brasil em Londres

  1. Até a próxima

    Encerramos nossa cobertura em tempo real dos discursos dos presidentes Lula e Donald Trump na Assembleia Geral da ONU.

    Muito obrigado a todos que acompanharam a transmissão.

  2. Trump encerra seu discurso

    Donald Trump encerrou seu discurso no plenário da Assembleia Geral da ONU agradecendo aos presentes e pedindo que "Deus abençoe os Estados Unidos".

  3. Trump diz que Cuba sofre 'maior pressão até hoje'

    Ao falar sobre a relação dos EUA com a América Latina, Trump afirmou ainda que o regime de Cuba "está sob a maior pressão até hoje".

    "Estamos pensando também numa mudança radical em Cuba, onde o regime comunista está sob a maior pressão que jamais esteve. É um regime absolutamente falido, um Estado falido. E vai cair", disse.

    O presidente americano também afirmou que seu secretário de Estado, Marco Rubio, está conduzindo negociações com o governo cubano. "Nós não vamos deixar que haja um porto seguro para o terror na nossa porta", disse.

  4. Trump: EUA usarão 'poderio militar incomparável' para garantir segurança contra cartéis

    Trump na ONU

    Crédito, Getty Images

    O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, usou seu discurso na ONU para falar sobre as ações americanas na Venezuela e o combate a organizações criminosas na América Latina e Caribe.

    Trump comparou as gangues latino-americanas ao grupo terrorista Estado Islâmico e disse que os Estados Unidos irão usar, se necessário, sua força militar para garantir a segurança americana.

    "Nossas ações na Venezuela são prova de que os Estados Unidos não vão mais permitir que ameaças à América ganhem posição de destaque no hemisfério ocidental e, se necessário, usaremos nosso poderio militar incomparável para garantir os interesses nacionais vitais dos EUA", disse.

    "Depois de chegar ao cargo, eu designei os cartéis de drogas como organizações terroristas estrangeiras e desencadeei uma operação com as Forças Armadas Americanas para eliminá-las. Os cartéis são o Estado Islâmico do hemisfério ocidental".

    Entenda mais sobre a crise entre Brasil e EUA em relação ao combate ao crime organizado no país: Os argumentos de Trump para acusar Brasil de 'falhar' no combate ao Comando Vermelho e PCC — e a resposta dada pelo governo brasileiro

  5. Trump fala sobre acordo com o Irã: 'Nós vamos conseguir'

    Donald Trump usa seu discurso para enaltecer o que chamou de esforços dos Estados Unidos em busca da paz e do fim dos conflitos mundiais.

    Sobre o atual confronto com o Irã, o presidente americano afirmou que "nós vamos conseguir". "De uma meneira ou de outra, nós vamos conseguir", disse.

    Mais cedo no discurso, Trump chegou a falar em não dar "chance de sobrevivência" ao regime iraniano.

  6. Lula e Donald Trump não se encontraram nos bastidores da ONU

    Por Leandro Prazeres, da BBC News Brasil em Brasília

    Lula e Donald Trump não se encontraram nos bastidores da Assembleia Geral da ONU, segundo fontes próximas ao presidente brasileiro.

    Havia a expectativa de que os dois líderes se cruzassem na saída de Lula do plenário da ONU, quando Trump estaria entrando para seu próprio discurso. Foi nesse momento que eles se encontraram rapidamente em 2025.

    Naquele momento, o governo brasileiro tentava uma saída diplomática para o primeiro tarifaço aplicado por Donald Trump ao país. Também se discutia a aplicação da Lei Magnitsky contra Alexandre de Moraes, sob a acusação de o ministro do STF ter agido politicamente na condenação de Jair Bolsonaro.

    O episódio foi um ponto de virada na relação entre os dois chefes de Estado, que passaram a dialogar e até tiveram um encontro presencial, que resultou na retirada de tarifas e sanções ao Brasil.

    A relação voltou a desandar nos últimos meses, contudo.

    O momento atual é particularmente delicado: a duas semanas das eleições brasileiras, com uma disputa comercial ainda sem solução e sob o risco de uma nova rodada de sanções do governo Donald Trump contra autoridades brasileiras.

    Leia mais sobre a situação atual da relação: As tensões e incertezas que envolvem discurso de Lula na ONU

  7. Donald Trump inicia seu discurso

    Trump na ONU

    Crédito, Reuters

    Donald Trump iniciou sua fala, após o fim do discurso de Lula.

    O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e a primeira-dama, Melania Trump, entraram no plenário da ONU após o discurso do presidente brasileiro para acompanhar o pronunciamento de Trump.

  8. Lula fala de tentativas de interferência externa na eleição: 'Brasil continuará sendo um país soberano'

    Lula na ONU

    Crédito, Getty Images

    Lula falou sobre as eleições presidenciais e disse que a votação não servirá apenas eleger o presidente, governadores estaduais e representantes do Poder Legislativo, mas para "decidir entre democracia e negacionismo".

    Segundo o presidente brasileiro, a eleição vai definir "se o Brasil vai avançar rumo a um futuro de mais oportunidades ou regressar a um passado de exclusão".

    Lula ressaltou que o pleito é "transparente e competitivo" e que todos os candidatos "desfrutam da mais ampla liberdade de expressão".

    O presidente afirmou, porém, que "interesses estrangeiros contrários ao país" têm abusado dessa liberdade.

    "Não subestimamos o desafio da rede de desinformação que pretende desvirtuar o debate público durante a campanha. Mas possuímos um sistema eleitoral moderno e robusto, sob olhar atento de cidadania plural e de uma imprensa livre", disse.

    Lula também defendeu a soberania do Brasil: "Não permitiremos que inimigos da democracia, internos e externos, atentem contra a vontade popular. A democracia brasileira pertence aos brasileiros. O Brasil continuará sendo um país soberano. Ninguém nos afastará deste caminho".

    O presidente encerrou seu pronunciamento com "que Deus nos abençoe a todos e muito obrigado".

  9. 'Apesar do tarifaço contra nossa economia, este ano bateremos novo recorde de exportações'

    Lula usou seu discurso para falar sobre a economia brasileira e o crescimento recente: "apesar do tarifaço contra nossa economia, este ano bateremos novo recorde de exportações", disse.

  10. Lula chama Hamas de terrorista e acusa Netanyahu de genocídio em Gaza

    No início de seu discurso, Lula também falou sobre a guerra em Gaza, o "genocídio praticado pelo governo Netanyahu" e "os atos terroristas do Hamas".

    "Gerações de palestinos carregarão a dor e o trauma deixado pelo genocídio praticado pelo governo Netanyahu contra mulheres e crianças em Gaza. Civis israelentes pagaram o preto do radicalismo e da intolerância dos atos terroristas do Hamas", criticou o presidente brasileiro.

  11. 'O Brasil não cabe no quintal de ninguém', diz Lula

    Lula discursa na ONU

    Crédito, REUTERS/BRENDAN MCDERMID

    Lula também falou sobre a interferência dos EUA na América Latina.

    "Na América Latina e Caribe, a proximidade com a maior potencia militar do mundo é inescapável, sobretudo no contexto de recrudescimento de tentações hegemônicas", disse.

    "O Brasil não cabe no quintal de ninguém. Precisamos de parceiros com uma agenda positiva que fomentem o desenvolvimento. Diferenças ideológicas não devem ser obstáculos para a maior integração entre vizinhos."

  12. 'Não vamos terceirizar a responsabilidade de defender nossas fronteiras'

    "Não vamos terceirizar a responsabilidade de defender nossas fronteiras e de garantir a população o direito de viver sem medo", disse Lula, em uma referência às cobranças dos EUA para combate ao crime organizado no Brasil

    "Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas", disse o presidente brasileiro, "precisamos de cooperação para estancar o fluxo de armas e de dinheiro que abastece o crime organizado".

    Segundo Lula, esse é o ponto central da proposta sobre combate ao crime enviada pelo seu governo ao presidente dos EUA, Donald Trump.

    O presidente ressaltou ainda que o país está preparado para o desafio de enfrentar as organizações criminosas.

    "O Brasil não subestima o desafio representado pelo crime organizado. Estamos preparados para enfrentar as organizações criminosas que aterrorizam nossas comunidades. Trabalhadores são roubados, mães perdem seus filhos, policiais não voltaram para as suas casas. As pessoas estão cansadas da violência", disse.

    Lula na ONU

    Crédito, Reuters

    "Em 2025 realizamos a maior operação contra o crime organizado da história do Brasil. Batemos recorde de apreensão de drogas, de bens e recursos ilícitos. Estamos enfrentando todos os escalões da criminalidade, inclusive os magnatas do crime. A lei antifacção, que acabamos de aprovar, impõe ao crime organizado penas superiores às previstas para o terrorismo. Crime organizado e corrupção andam juntos. O combate à corrupção continuará implacável, doa a quem doer. Ninguém está acima da lei."

  13. Lula elogia resolução que reconheceu tráfico de escravizados como 'o crime mais grave contra a humanidade'

    Lula é aplaudido ao elogiar a resolução histórica adotada pela Assembleia Geral da ONU em março de 2026 que reconhece o tráfico transatlântico de africanos escravizados como “o crime mais grave contra a humanidade”.

    "Essa assembleia corrigiu recentemente distorções históricas. Reconheceu o tráfico de africanos escravizados como o mais grave crime contra a humanidade", disse, sendo aplaudido.

    "Aprovou a representação mais precisa do mapa mundi. Agora, deve se debruçar sobre temas determinantes para o futuro da humanidade. Somos chamados a optar entre o multilateralismo e unilateralismo. Democracia e extremismo. Soberania ou subordição. Essas escolhas demandam coragem, vontade política e clareza de objetivos", disse.

  14. 'As concessões à lei do mais forte já passaram dos limites', diz Lula

    Lula discursa na ONU

    Crédito, Michael M. Santiago/Getty Images

    "As concessões à lei do mais forte já passaram dos limites", diz Lula.

    O presidente brasileiro disse ainda que é um representante de uma nação que defende a paz e a liberdade. Segundo Lula, a guerra é a "falência total da política".

    "O ano de 2025 registrou o maior número de conflitos armados desde a Segunda Guerra Mundial. Trilhões de dólares financiam uma nova corrida armamentista. Tensões geopolíticas ameaçam transformar confrontos regionais em uma conflagração de proporções globais. Os que detêm as rédeas das decisões cruciais devem atuar com responsabilidade e sentido de urgência. Os líderes dos países que integram o Conselho de Segurança precisam se reunir", afirmou.

  15. Mundo está falhando em proteger população da guerra, diz Lula

    Lula iniciou sua fala afirmando que este é o momento mais crítico das Nações Unidas desde 2003, quando se tornou presidente pela primeira vez.

    Segundo o presidente brasileiro, o Conselho de Segurança, seus membros e o mundo está falhando em proteger a população das guerras.

    "A ONU está falhando em uma de suas missões mais elevadas. A de livrar a humanidade do flagelo da guerra. Sua credibilidade nunca esteve tão baixa. Sua capacidade de proteger os mais vulneráveis, os que não têm exército nem arsenais nunca foi tão pequena. Somos todos reféns do imobilismo de um conselho de segurança que não cumpre seu papel", disse Lula.

  16. Presidente Lula começa seu discurso na ONU

    O presidente Lula tomou seu lugar no púlpito, diante do plenário da ONU em Nova York, e iniciou seu discurso.

  17. Donald Trump chega à sede da ONU

    Trump chega na sede da ONU em Nova York

    Crédito, Reuters

    "É uma honra estar nas Nações Unidas", disse Donald Trump a repórteres ao chegar para a Assembleia Geral da ONU em Nova York.

    "Estamos progredindo, nosso país está indo muito bem", acrescentou.

  18. Guterres defendeu assento permanente da África no Conselho de Segurança

    Sob calorosos aplausos, o secretário-geral da ONU, António Guterres. insistiu que a África deve ter pelo menos um assento no Conselho de Segurança.

    "Um Conselho de Segurança do século 21 sem assentos permanentes para a África é injusto e indefensável", disse ele aos líderes, acrescentando: "Isso precisa mudar".

    O Conselho de Segurança – cujos cinco membros permanentes são China, França, Rússia, Reino Unido e Estados Unidos – há muito é criticado por representar a realidade vigente no final da Segunda Guerra Mundial, quando grande parte da África ainda estava sob domínio colonial.

    Os 10 membros não permanentes do órgão são alocados por região, mas, diferentemente dos cinco membros permanentes, não têm poder de veto.

    A União Africana há tempos defende que o continente tenha dois representantes permanentes no Conselho e mais dois assentos como representantes não permanentes.

  19. Presidente da 81ª Assembleia Geral da ONU discursa

    Khalilur Rahman, presidente da 81ª Assembleia Geral da ONU, faz seu discurso de abertura.

    Rahman é ministro das Relações Exteriores de Bangladesh.

  20. Guterres estabelece quatro 'grandes testes de poder' para o mundo

    Em seu discurso de abertura da Assembleia Geral da ONU, o secretário-geral António Guterres disse aos líderes reunidos que "os humanos estão cada vez mais entregando poder às máquinas", alertando que, com o rápido avanço da inteligência artificial, "agentes artificiais estão se tornando descontrolados e armas autônomas letais estão deixando a ficção científica para se tornarem realidade militar".

    Ele afirmou que estamos "claramente caminhando para um mundo multipolar", mas ressaltou que existem diferentes maneiras pelas quais isso pode se concretizar. A primeira, segundo Guterres, é através da fragmentação e de um mundo de "tensão crescente e desconfiança cada vez maior".

    Guterres disse que existe outro caminho: "um mundo no qual múltiplos centros de influência coexistam com uma estrutura comum de direito internacional e regras compartilhadas".

    O secretário acrescentou que nosso futuro será moldado pela forma como lidarmos com "quatro grandes desafios de poder": o poder sobre a guerra e a paz, o poder que "concentra riqueza e impulsiona a desigualdade", o poder que "alimenta o caos climático" e o poder liberado pela inteligência artificial.

    Guterres

    Crédito, Reuters

    Este foi o último discurso de abertura de Guterres em uma Assembleia Geral como secretário-geral da ONU. Ele, que assumiu o cargo em 2017 e foi reeleito em 2021, será substituído em breve.