As esperanças da Escócia de alcançar pela primeira vez as fases eliminatórias da Copa do Mundo ficaram comprometidas após uma atuação defensiva desastrosa, que permitiu ao Brasil vencer por 3 a 0 em Miami e terminar na liderança do Grupo C.
A equipe de Steve Clarke sabia que um ponto poderia praticamente confirmar uma classificação histórica, dependendo dos critérios de melhores terceiros colocados.
Antes da partida, as estatísticas apontavam que uma campanha de três pontos e saldo negativo de três gols ainda daria cerca de 42% de chance de avançar entre os oito melhores terceiros colocados no novo formato de 32 seleções.
Agora, os escoceses enfrentam uma espera angustiante, que pode se estender até a manhã de domingo, até que os demais grupos concluam seus jogos.
Caso a classificação não venha, a sensação será de mais um caso em que a Escócia complicou a própria vida.
Scott McKenna, em sua primeira partida como titular no torneio, hesitou na saída de bola e acabou desarmado pelo jovem Rayan. Ele encontrou Vinícius Júnior, que não desperdiçou a oportunidade.
O atacante do Real Madrid — que marcou em todos os jogos da fase de grupos — chegou a balançar as redes pela segunda vez após roubar a bola de Jack Hendry e driblar Angus Gunn, mas o VAR anulou o lance por falta na origem.
Carlo Ancelotti não ficou satisfeito, mas seu principal jogador voltou a marcar pouco depois, completando de cabeça após falha da defesa escocesa no fim do primeiro tempo.
Vinícius Júnior ainda poderia ter feito um hat-trick, e o Brasil poderia ter marcado mais.
Mesmo assim, a Escócia foi para o intervalo apenas dois gols atrás, apesar de ter feito sua melhor atuação com a bola nesta Copa até aqui.
Talvez isso diga mais sobre o contexto do que sobre o desempenho.
Sem o capitão Andy Robertson, a Escócia voltou melhor no segundo tempo. Ainda assim, o Brasil controlava a partida com facilidade.
Duas reclamações de pênalti e uma boa cabeçada de Scott McTominay defendida por Alisson acabaram ficando em segundo plano quando Bruno Guimarães desarmou Kenny McLean e serviu Matheus Cunha para fechar o placar.
Parafraseando uma frase conhecida, não é apenas o que se faz, mas como se faz.
A Escócia foi extremamente generosa com o Brasil. Poucas seleções neste torneio precisariam de ajuda, mas os sul-americanos certamente não recusaram os presentes oferecidos.
Gol com o gol vazio na abertura do placar. Cabeceio livre na segunda bola. Desatenção na entrada da área no lance anulado. E uma sequência de erros que facilitaram a vida da equipe de Carlo Ancelotti.
O que mais deve incomodar os escoceses é a forma como desperdiçaram a chance de competir em um jogo histórico.
A torcida foi avisada de que o time não partiria para o “tudo ou nada”, mas muitos esperavam menos erros grotescos.
Em condições de forte calor, o Brasil até colaborou ao não ampliar o placar.
A diferença, no fim, esteve nos protagonistas: enquanto os principais jogadores brasileiros decidiram, os escoceses falharam nos momentos decisivos.