EUA e Dinamarca fecham acordo sobre a segurança da Groenlândia

Pessoas seguram uma bandeira na costa da Ilha do Urso, com barcos ao fundo.

Crédito, Getty Images

Legenda da foto, Pessoas seguram bandeira da Groenlândia, que faz parte do reino da Dinamarca, mas tem um governo autônomo
    • Author, Oliver O'Connell e Max Matza
    • Role, BBC News
  • Published
  • Tempo de leitura: 3 min

Os Estados Unidos e a Dinamarca anunciaram nesta sexta-feira (18/09) um acordo relativo à segurança da Groenlândia, resolvendo uma disputa diplomática desencadeada pelas ameaças do presidente americano Donald Trump de tomar a ilha à força.

Trump disse que o acordo concederá ao seu país "controle permanente sobre a segurança e todas as outras necessidades" da Groenlândia.

A primeiro-ministra da Dinamarca afirmou que o acordo "reforça a segurança no Ártico e na região do Atlântico Norte", mas não abordou detalhes específicos do acordo mencionados por Trump em uma publicação nas redes sociais.

A Groenlândia faz parte do reino da Dinamarca, mas possui um governo autônomo.

A notícia surge após meses de ameaças de Trump de "tomar" a Groenlândia devido a preocupações com a segurança nacional, citando sua localização estratégica para fins de defesa e sua riqueza mineral.

Trump, em uma publicação no Truth Social, disse que o acordo não terá "nenhum custo para os Estados Unidos" e dará ao seu país a capacidade de "fazer o que for necessário" para "garantir e defender a segurança da Groenlândia".

Ele afirmou que o acordo inclui uma cláusula segundo a qual nenhum adversário dos EUA pode manter presença militar ou "fazer investimentos sensíveis na Groenlândia sem nossa expressa aprovação por escrito".

A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, confirmou que o acordo será assinado na Assembleia Geral das Nações Unidas na próxima semana.

Frederiksen afirmou que o acordo "fortalece nossa segurança comum no Ártico e na região do Atlântico Norte", ao mesmo tempo que "reconhece a soberania e a integridade territorial do Reino e o direito do povo da Groenlândia à autodeterminação".

Mas ela acrescentou que o acordo ainda precisa da aprovação dos parlamentares e "terá de passar pelos trâmites legislativos necessários para entrar em vigor".

O chefe do governo da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, afirmou em um comunicado ser "gratificante estarmos prestes a firmar um pacto que assegura e fortalece a segurança" da Groenlândia, da Dinamarca e dos EUA.

"O acordo reconhece os interesses da Groenlândia e o nosso papel na cooperação internacional. É algo que beneficia a todos nós", disse ele.

Trump tentou, por meses, comprar ou anexar o território dinamarquês — rico em minerais —, argumentando que ele é vulnerável a adversários, incluindo a Rússia e a China.

O presidente americano chegou a ameaçar uma ação militar na Groenlândia, provocando forte reação negativa de dinamarqueses e de outros países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Nenhum texto do acordo anunciado nesta sexta-feira foi divulgado. A BBC entrou em contato com a Embaixada da Dinamarca e com a Casa Branca e aguarda retorno.

Mapa mostra EUA, Canadá, Groenlândia e Dinamarca

No entanto, uma fonte do Departamento de Estado dos EUA que não quis se identificar comentou o acordo.

Entre os dispositivos negociados e aprovados, há um trecho que estabelece que o documento não perderia a validade mesmo se a Groenlândia se tornar um país independente no futuro.

A fonte acrescentou que, nos termos do acordo, os EUA têm poder unilateral para construir instalações militares adicionais, sem necessidade de aprovação da Groenlândia ou da Dinamarca.

O acordo inclui "direitos de acesso permanente, de manutenção de bases e de sobrevoo", afirmou o funcionário.

Também proíbe países que não pertencem à Otan de construir bases na ilha e "impede que adversários façam investimentos na Groenlândia que possam ameaçar os Estados Unidos".

A fonte acrescentou que, no cenário atual, adversários dos EUA têm permissão para investir em "setores sensíveis" da Groenlândia.

Essa pessoa mencionou especificamente a Rússia e a China, afirmando que o acordo as impede de enviar tropas ou realizar investimentos em "setores sensíveis".

Sem a divulgação do texto oficial, não está claro exatamente em que o acordo difere de um pacto de 1951 com a Dinamarca, segundo o qual os EUA podem enviar para a Groenlândia quantas tropas desejarem.

Os EUA já mantêm mais de 100 militares permanentemente na base de Pituffik, situada na extremidade noroeste do território.

Trump afirma que a Groenlândia é essencial para seu plano de criar um sistema de defesa chamado "Golden Dome" (Cúpula Dourada).

O projeto pretende proteger os EUA contra ataques de mísseis da Rússia e da China. Aliados europeus poderiam colaborar nessa iniciativa.

A Groenlândia possui vastas reservas — em grande parte inexploradas — de minerais de terras raras, muitos dos quais são cruciais para tecnologias como telefones celulares e veículos elétricos.