Quem é Jaques Wagner, líder do governo Lula no Senado e alvo de operação que investiga o Banco Master

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Alvo da nona fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira (18/06) para investigar suspeitas de irregularidades envolvendo instituições financeiras como o banco Master, o senador Jaques Wagner (PT-BA) é líder do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Senado.
Nascido no Rio de Janeiro, ele iniciou sua trajetória política no movimento estudantil, em 1968, presidindo o diretório acadêmico da Faculdade de Engenharia da Pontifícia Universidade Católica (PUC) da capital fluminense. Sua carreira política, porém, foi construída essencialmente na Bahia.
Em 1973, Wagner deixou o curso de engenharia. Ele então se mudou para Salvador, onde trabalhou como técnico de manutenção no polo petroquímico de Camaçari e passou a atuar no movimento sindical.
Entre 1987 e 1989, presidiu o Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Petroquímica, conhecido como Sindiquímica, e conheceu Lula em um congresso de petroleiros. Neste período, também participou da organização da Central Única dos Trabalhadores, a CUT, na Bahia.
Foi eleito deputado federal pela primeira vez em 1990. Depois, foi reeleito em 1994 e 1998.
Mais tarde, no governo Lula, ocupou os cargos de ministro do Trabalho, da Secretaria Especial do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social e das Relações Institucionais.
Em 2006, voltou à Bahia, onde foi eleito governador e exerceu dois mandatos consecutivos, até 2014.
Em seguida, assumiu o Ministério da Defesa, cargo que ocupou entre janeiro e outubro de 2015. Depois, comandou a Casa Civil até março de 2016, durante o segundo mandato da presidente Dilma Rousseff (PT). No mesmo ano, também foi ministro-chefe do Gabinete Pessoal da Presidência.

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Wagner nega acusações e diz ter apoio de Lula
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Em entrevista ao canal de TV Band, horas após a operação, Wagner negou ter recebido qualquer valor relacionado ao Master ou ter atuado para beneficiar o banco. Também disse não ter relação com Daniel Vorcaro, dono da instituição liquidada que está preso.
Afirmou ainda que continua como líder do governo Lula no Senado e mantém seu objetivo de disputar um novo mandato de senador em outubro.
"O presidente Lula ligou para mim para se solidarizar, dizer que mantém absoluta confiança. A gente se conhece há 48 anos e, portanto, ele sabe o meu jeito de agir", contou.
Wagner confirmou que os US$ 55 mil e os € 33,5 mil apreendidos pela PF na operação são seus, mas negou qualquer ilegalidade.
Segundo ele, os valores correspondem a diárias recebidas do Senado devido a viagens internacionais realizadas no exercício do seu mandato ou a valores que ele mesmo comprou no Banco do Brasil para viagens internacionais.
Wagner disse que costuma pagar as contas no exterior no cartão de crédito, em vez de gastar os valores em espécie recebidos pelas diárias.
Entenda a operação contra Jaques Wagner
A nona fase da Operação Compliance Zero da Polícia Federal — que investiga um suposto esquema bilionário de fraudes envolvendo o Banco Master — atingiu Jaques Wagner e o banqueiro Augusto Ferreira Lima, entre outros alvos.
"O senador Jaques Wagner é apontado pela Polícia Federal como suposto beneficiário central das vantagens econômicas investigadas, figurando como agente público em favor de quem teriam sido estruturados pagamentos, benefícios e aquisições patrimoniais", afirma decisão assinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, que é relator do caso.
O senador teria recebido pagamentos e benefícios em troca de apoio por medidas no Congresso que ajudariam o Banco Master — como a chamada "Emenda Master".
Já Augusto Ferreira Lima é descrito como "gestor ligado ao Banco Master, principal interlocutor privado de Jaques Wagner e figura central na suposta entrega de vantagens econômicas indevidas ao parlamentar e a pessoas de seu entorno".
A PF disse que agentes cumpriram 18 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo STF na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal.
"Também estão sendo cumpridas medidas cautelares diversas da prisão, como proibição de contato entre os investigados e suspensão de passaporte", afirma a nota da polícia."
Os fatos investigados podem caracterizar, em tese, os crimes de corrupção passiva, de corrupção ativa e de lavagem de dinheiro."
Foram autorizadas buscas em endereços ligados ao senador — mas não dentro de seu gabinete no Senado.
A Polícia Federal apreendeu cerca de US$ 55 mil dólares e outros € 33,5 mil na operação desta quinta-feira. Uma fonte que acompanha as investigações afirmou à BBC News Brasil em caráter reservado que o dinheiro foi encontrado em dois endereços ligados a Jaques Wagner. Um no Distrito Federal e outro na Bahia.
As autoridades brasileiras investigam três eixos principais nessa fase da operação:
a possível "entrega de vantagens econômicas", com destaque para a compra de um apartamento em Salvador
a identificação de pagamentos e repasses a empresas "vinculadas ao núcleo familiar de Jaques Wagner"
a verificação de "indícios de atuação parlamentar, por parte do Senador, em temas de interesse do Banco Master", especialmente "em matéria de crédito consignado, em relação ao limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e em iniciativa parlamentar voltada à fiscalização e controle da operação de aquisição do Banco Master pelo BRB".
A PF diz que Wagner teria encaminhado a Augusto Ferreira Lima dados de um apartamento do empreendimento Poème Horto avaliado em R$ 2,45 milhões. A compra final teria sido feita por outra empresa "em dinâmica que a autoridade policial reputa compatível com ocultação do beneficiário final", segundo a decisão.
Essas tratativas teriam acontecido mesmo depois da deflagração da primeira fase da Operação Compliance Zero.
A PF afirma que a BN Financeira Ltda. — uma "empresa associada ao núcleo familiar de Jaques Wagner" — teria recebido R$ 3,5 milhões de uma "pessoa jurídica vinculada ao núcleo de Augusto Ferreira Lima".
As autoridades também dizem que houve "atuação parlamentar de Jaques Wagner em temas de interesse do Banco Master".
Além disso, as autoridades afirmam que há outras questões "mais laterais" por parte de Wagner, como o "uso gratuito de aeronaves vinculadas a Augusto Ferreira Lima ou ao Banco Master"; e o "recebimento de ingressos para shows no exterior de elevado valor".
A decisão cita ingressos à família do senador para shows de uma cantora que teriam acontecido em Los Angeles, em valor superior a R$ 63 mil.





















